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domingo, 3 de maio de 2009

Ensina-me a viver


Para quem é acostumando a ver a Glória Menezes sempre fazendo belíssimos papéis ao lado do seu marido Tarcísio Meira, com certeza deverá ficar impressionado ao vê-la contracenando ao lado do Jovem Arlindo Lopes, e mais do que isso; Fazendo papel romantico com ele.
Ensina-me a viver (original do autor Colin Higgins - Adaptada e dirigida por João Falcão), é uma peça maravilhosa, que nos deixa a pensar sobre a nossa vida, e o rumo que estamos dando a ela.
Na história, a Glória é uma senhora de quase 80 anos, chamada Maude, (com espírito de 20 anos) ela é completamente apaixonada pela vida, sensível, sábia, e vive cada momento com verdadeira profundidade, como se fosse seu ultimo.
Harold (Arlindo Lopes) é um jovem de 20 anos, que tem espírito de velho e é completamente obcecado pela morte, de tal forma que tem como hobbie frequentar enterros, e é em um desses enterros que ele conhece a jovem Maude.
A sintonia entre eles é imediata, e logo Moude passa a ensinar a Harold, a beleza de viver e de aproveitar todos os momentos como toda a intensidade que ele permitir.

Refletir, deve ser o principal objetivo dessa fantástica peça, que não conta apenas com eles, no elenco, mas são os principais.

Em meio a cômicas e inumeras tentativas de suicidio no decorrer da peça, o Harold, se mostra um excelente aluno, e um jovem que muito amor para oferecer. Maude por sua vez, em cada riso que provoca na plateia, induz a mesma a refletir, a se emcionar e a querer mudar.

O auge de toda a excitação da peça, ocorre na não esperada cena de beijo entre Maude e Harold, que se segue a sincera declaração de amor feita pelos dois.
A platéia sem dúvidas sentiu-se surpresa e extasiada com tamanha cena!

Extasiada sim, pois, por mais que pensemos que não temos mais esse tipo de preconceito, quando nos deparamos de frente a uma situação como essa ainda ficamos sem saber muito como agir.
Não que eu esteja criticando, mas, era que o clima de romance e de ensinamento era tão bonito e tão perfeito, que todos na plateia respirava em silencio, desejando desesperadamente que aquele amor jamais de acabasse. Porém, ao fim da peça, toda a nossa vontade fica clara que não será realizada.

Sim...
A Maude morre ao completar exatos 80 anos, deixando o Jovem Harold aflito, por imaginar que sem ela sua vida voltou a ser exatamente como antes.
Mas, não é que a peça termine sem graça!
A peça acaba e nós continuamos a pensar em como queremos que nossa vida ocorra apartir de então. O que é confirmado, com a emoção da platéia ao derramarem mesmo que sem querer serem visto, lágrimas de emoção.

O Amor de Maude e Harold, ultrapassa toda a idéia de amor que eu tinha comigo até aquele momento, além da perspectiva que eu tinha do que é o viver.
Essa peça sem dúvidas me fez ver que cada minuto é importante, mesmo que não pareça, e que devemos vivê-lo como se fosse o ultimo, pois ele sempre será, afinal jamais poderemos voltar no tempo para refazê-lo e além disso, não sabemos se teremos o privilégio de escolher nosso tempo de vida como fez a Maude, que estabeleceu que viver até os 80 anos seriam o ideal (pelo menos pra ela).

Então pessoas (mesmo que fantasmas), aproveitem suas vidas, vivam cada momento, não deixe o tempo passar em vão.
Corram atrás de seus amores, amigos, familiares. Digam pra quem vocês amam, que o amam, por mais que não sejas correspondido. Pelo menos ele/ela ficou sabendo que alguém sente algo por ele/ela.

Quanto a peça, recomendo que assistam, uma, duas, dez, vinte vezes, pois como disse a Glória Menezes:
" A Mágica do teatro, é que nada fica filmado, ou gravado, de modo que possamos assistir mais tarde. Tudo fica sim gravado, mas, na nossa memória, e cada vez que assistimos novamente, percebemos que nada é igual ao antes. A Mágica é poder viver cada momento, como sendo único, pois eles são únicos!"



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